Governo Lula amplia autonomia das universidades federais

segunda-feira, julho 19, 2010 Por Felipe Albuquerque

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira três decretos e duas medidas provisórias que visam dar maior autonomia às universidades federais do país. As medidas permitem a abertura de créditos suplementares para instituições e seus hospitais universitários, o uso das sobras do orçamento do ano anterior no exercício seguinte e a realização de concursos públicos sem autorização prévia do Poder Executivo, entre outros pontos.


Os decretos regulamentam ainda a assistência estudantil e liberam recursos para o Programa de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais. Em relação às medidas provisórias, uma estabelece as regras de funcionamento das fundações de apoio às universidades e outra cria a margem de preferência para as compras públicas de produtos e serviços brasileiros. A segunda MP possibilita que essas entidades públicas possam comprar produtos de empresas brasileiras, mesmo que os preços sejam superiores aos oferecidos por uma empresa estrangeira.

Em seu discurso, Lula disse que a assinatura dos decretos e das medidas provisórias é uma prova de que o governo federal aprendeu a escutar a sociedade e, com isso, tem conseguido atender às suas reivindicações. “Uma coisa que vai se consagrar nas políticas públicas do país é o fato de o governo ter aprendido que ouvir as pessoas faz bem, mesmo quando elas estão zangadas, questionando. Muitas vezes permite que a gente faça coisas corretas. Se não fossem as criticas, poderíamos fazê-las incorretas”, disse Lula a reitores da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais (Andifes).

O ministro da Educação, Fernando Haddad, destacou que muitos problemas enfrentados pelas universidades seriam facilmente resolvidos se esses dispositivos já estivessem em vigor. “A autonomia é mais do que isso, evidentemente, mas diria que o grande anseio das nossas universidades era, justamente, um arcabouço legal que permitisse que pessoal, custeio e investimento tivessem o abrigo de um diploma legal para traduzir na prática aquilo que era um princípio constitucional poucas vezes respeitado. O avanço feito por esses decretos é muito significativo”, disse o ministro.

Haddad afirmou que o governo está “indo ao limite do que a legislação permite” para oferecer maior autonomia às universidades. “Não fica mais ao arbítrio nem do ministro da Educação nem do ministro do Planejamento autorizar concursos públicos para recomposição de pessoal que se exonera, se aposenta, enfim, de alguma razão deixa de pertencer ao pessoal ativo das instituições”, disse.

“A universidade, no gozo de sua autonomia, vai programar a reposição do seu pessoal. O mesmo vale para a execução orçamentária. As universidades passam a contar, agora, com um diploma legal que lhes dá completa autonomia de gestão do orçamento para remanejamento de verbas entre rubricas, apropriação de recursos próprios e para a eventual execução orçamentária no ano seguinte daquilo que não pôde ser executado no exercício anterior”, explicou o ministro.


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3 comentários

Felipe Albuquerque disse...

Muito bom o que o Presidente Lula fez. Proporcionar maior autonomia universitária. Tenho algumas considerações a fazer quanto ao uso de sobras do orçamento para o ano posterior.

Vejo essa medida, como ótima, pois agora, não precisaremos enlouquecer para pressionar a Reitoria a executar os projetos de licitações antes de 31 de dezembro, senão, o recurso voltaria ao Ministério do Planejamento para ser rateado para outros órgãos públicos federais.

Entretanto, consigo ver algo ruim nessa mudança. Será que, com a queda desse prazo, nossas autoridades vão "afrouxar" e empurrarem com a barriga, as licitações da universidade? É algo que verificaremos em breve. Espero que não, que eles tenham o mesmo zelo...

Cabe é claro, a nós alunos, pressionarmos e cobrarmos a realização das obras que tanto almejamos.

Felipe Albuquerque disse...

A questão maior agora é: como a UFT vai aplicar o uso das sobras do orçamento no ano seguinte? Irá empurrar com a barriga? Vai afrouxar seus deveres?

Se descansar, teremos licitações ainda mais demoradas, projetos ainda mais guardados em gavetas? Essa semana, vou na Pró-Reitoria de Administração e Finanças saber como será aplicada essa questão das sobras do orçamento.

Unknown disse...

Apsesar do enorme avanço, é um tanto relativo esse ´´enlouquecer´´.
A universidade tendo mais autonomia pra decedir o destino das verbas é muito positivo, entrentando deve-se aumentar ainda mais a ´´pressão´´.
Ainda mais a participação estudantil se faz necessaria.

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